segunda-feira, abril 18, 2016

Jardim António Borges | São Miguel

O Jardim António Borges em Ponta Delgada foi em tempos jardim botânico, retrata o espírito Romântico do século XIX. Foi em tempos da pertença de António Borges Medeiros, muito interessado por Botânica e foi responsável pela introdução de novas espécies (sobretudo exóticas) na ilha. A sua propriedade foi sendo transformada num interessante jardim botânico.  Hoje é um espaço público - do municipio de Ponta Delgada - e ainda reune uma diversidade de plantas razoável. É utilizado visitado diariamente por locais e visitado (atualmente com a recente vaga de turismo) por muitos estrangeiros. Reabriu uma pequena e simpática esplanada que acolhe quem ali quer almoçar, descansar ou... estar. O jardim tem - de longa data - problemas com segurança e consta que foi recentemente vandalizado, em vez de estar a policia municipal a monitorizar o local fechou-se um dos portões o que condiciona a circulação no seu interior mas não evita  problemas... neste dia internacional dos monumentos e sítios lamento que a Câmara Municipal de Ponta Delgada não invista mais no jardim...

(Pilot G-tec-C4, marcadores Amsterdam e Giotto decor materiais sobre Ebru)                                                                                 | «in situ» |

Album de GRAFIAS | reflexos

... Foi uma forma de me colocar neste novo caderno ali no meio dos reflexos que o espelho veicula.

(Marcadores windsor & Newton e caneta de tinta da china)                                                                                                | «in situ» |

domingo, abril 17, 2016

Chatices...


Isto de ser burocrata é uma grande chatice, o que gosto mesmo (no ensino) é de estar com os alunos e fazer coisas com eles, desafiá-los e criar condições para que possam agir criativamente... o resto, tudo o resto diz-me muito pouco, cada vez menos!

(Pilot G-tec-C4, marcadores Amsterdam e Giotto decor materiais sobre Ebru)                                                                                  | «in situ» |

quinta-feira, abril 14, 2016

Peri-feérica

Periférica, foi um seminário promovido pela associação Anda & Fala e teve oito oradores em torno da questão das «novas centralidades artísticas». Transformou o contexto “Açores” em ponto de partida para uma discussão sobre a relação entre centro e periferia. «Surge no sentido de haver uma crescente teorização e discussão sobre a criação artística contemporânea nos Açores, a georreferênciação do território através de conteúdos artísticos e a oportunidade de turismo criativo e intercâmbio internacional». Assisti a 2/3 do evento, intercalei com aulas que não pude deixar de dar.


Considero interessante o esforço da anda & fala e confesso que me quis manter «cfw». Provoca-me uma certa irritação quando os assuntos são abordados mapeada e superficialmente, propondo psicionamentos de menoridade perante outras escalas com maior capacidade de ampliação, mas compreendo a necessidade da reflexão, mas depressa compreendi que a conversa não era a costumeira e a intenção era de destriça. Os projetos e propostas apresentadas no seminário mostraram o sucesso enraizado na essência, necessidade  e autenticidade das mesmas e quando dirigidas à comunidade tornam-se da própria comunidade porque existiam laços e cumplicidades. Acredito que as «períferias geográficas» possam ser centros de interesse idiossincrático, mas também acredito que  a riqueza cultural - dos Açores e de todos os lugares - se faça da troca e da partilha: out-puts e in-puts entre uns e outros. Ser o centro é irrelevante, mas ser polo de ação /atração é fundamental. Respiro, desde longa data, o bafio de uma ambiência nepótica e «emmimesmada» que estremece e receia a novidade sobretudo se esta não lhe for afim e divergir no ADN.  Gostei de ver alunos de artes visuais - do ensino secundário - a assistir ao seminário e a resistir até ao fim, é bom que se interessem por estas questões e participem no debate que também lhes pertence. Na Periférica senti a períferia... foi uma conversa «dos mundos» com potencial introspetivo... e debate engrandecedor.
E, não deixo de sentir que, finalmente, emergem propostas que não são própriamente hóspedes das «habitués» e que apontam para uma certa renovação. Um conjunto de pessoas, jovens, com ideias frescas e livres  (espero eu) ou descomprometidas (quanto baste) para que a reflexão seja consequente e se torne inspirada e capaz de ENVOLVER e propor sem fundamentalismos, para fazer a diferença e MELHORAR, na cidade, na ruralidade ou na escola... assim se espera!

(a repetir-se o seminário, para o ano, proponho que a Periférica recrie o próprio nome mergulhando na centriferia: Peri-feérica, enfatiza a beleza (do lugar) que faz aumentar a  no projeto e o inverso também...)

(Artline 200 Fine 0.4  e Pilot G-tec-C4 sobre Ebru, Amsterdam e Giotto decor materiais, Posca e caneta de tinta da china 0,2)         | «in situ» |

segunda-feira, abril 11, 2016

14º Encontro USK Açores- São Miguel | Gruta do Carvão

O nosso encontro foi animado e com algumas caras novas e com e abertura e auxílio da associação amigos dos açores que nos propiciou e facilitou a entrada na Gruta do Carvão. Esta a cavidade vulcânica é a mais conhecida da Ilha de S. Miguel e da responsabilidade desta Associação que tem por fim defender e valorizar o ambiente... A gruta localiza-se «na zona poente da cidade de Ponta Delgada e tem uma extensão actual de 1912 metros repartida por 3 troços, um intermédio (Troço dos Secadores de Tabaco, Rua de Lisboa), com um comprimento de 701,8 metros e um a Sul (Troço João do Rego) com 300 metros e este a Norte (Troço Paím) com uma extensão de 880,2 metros. Documentos antigos e observações de campo indiciam uma dimensão muito superior à actualmente conhecida, podendo ter atingido dimensões na ordem dos 5 km de comprimento, desde o litoral até às proximidades da Serra Gorda, nos Arrifes. A idade da gruta, está determinada num intervalo compreendido entre os 5.000 – 12.000 anos.
o século XVI a gruta foi descrita por Gaspar Fructuoso (em "Saudades da Terra"): “Além, a pouco espaço da Fortaleza para oeste está uma ponta que se chama a Ponta dos Algares, porque saiem ali dois com as suas bocas, por dentro dos quais se caminha grande caminho por baixo da terra, por cujo vão parece que correu ribeira de biscoito, em outro tempo, não sabido nem visto”». Fiquei com vontade de lá voltar para aceder aos trilhos radicais. Devido à localização, dimensão, variedade de estruturas geológicas que podem ser observadas e aos fenómenos vulcânicos que a ela estão associados, foi classificada como Monumento Natural Regional em Decreto Legislativo Regional.
Fiz dois registos, um primeiro desenho sobre Ebru, a textura parecia relacionar-se com algumas texturas das paredes da gruta. Foi difícil desenhar nas condições lumínicas do local, apontei a cor e em casa concluí. Apeteceu-me evidenciar os tons amarelados que os fungos determinam e que embelezam, particularmente, o âmago gruta. O segundo registo fi-lo sem experimentalismos procurando apaziguamamento percetivo, usei um suporte branco com alguns resquícios de Ebru.
Foi um encontro com interesse e desafiante e é de salutar a forma como fomos recebidos, o Hugo explicou-nos o espaço e os precedimentos e deixou-nos à vontade para desenhar.

Acabámos um pouco depois da hora marcada, partilhámos os desenhos e tirámos a fotografia da praxe mas esquecemo-nos de usar o selftimer e o Francisco Queiroz acabou por não ficar no conjunto (mais fotografias aqui). 




(Pilot G-tec-C4, marcadores windsor & Newton, Amsterdam e Giotto decor materiais, Posca, aguarela e caneta de tinta da china s/ Ebru) | «in situ» |


Estabelecer ligações - com Mário Linhares

Desenhar com outras pessoas faz-me vestir uma espécie de escudo protetor e torna-se mais fácil enfrentar os outros e os desafios. Depois de entrarmos no café do sr. Marco no Livramento (eu e a Sofia Botelho) para aceder à minha dose matinal de cafeína, acabei por encontrar naquele espaço (onde as mulheres não proliferam) algumas das «afeições» terrenas que prendem a Terra à «terra» e... olhar para baixo e numa perspetiva Pessoana, refletir sobre o que somos e não somos, o que queremos e não queremos ser. Pensei que não seria capaz de dar resposta ao que tinha sido proposto: olhar para baixo e aceder às coisas do alto...

Lá me levantei para sair do café (à procura de alguém com quem interagir) e apercebi-me que atrás de mim se sentava um senhor que ali pairava ou vagueava nos seus pensamentos ou... descansava. Perguntei se me deixava desenhá-lo e o senhor consentiu. O sr. José Botelho foi simpático embora pouco falador, era também um bocadinho surdo e isso dificultou um pouco a nossa conversa. Soube que era dono da charcutaria da localidade e que -ali- se sentia «em casa», como o café pertence ao genro e deixa-se estar, em frente à janela, olhando para tudo e para nada. É dono de uma charcutaria e sabe-lhe bem o descanso do fim de semana (...). Depois saí e fui procurar na rua as ligações que tinham sido pedidas. Saltitei entre uma e outra página a tentar contextualizar e relacionar as coisas com as pessoas. Pensei que as coisas do «Céu» na «Terra» são coisas da «Terra» e não do «céu». Pensei que as pessoas são «muito» ou são «nada» e o senhor José parecia - na sua pose etérea - estar mais elevado do que eu. Mais tarde, depois de termos partilhado os desenhos em grupo, pensei que querer ser «nada» pode significar ser-se «todas as coisas do mundo»... 

À parte disso fui registando as pessoas do grupo que fez o retiro com o Mário Linhares e que me receberam a mim e à Sofia Botelho com enorme simpatia. Foi um prazer desenhar com todos (Estela, Emanuelle, Isabel, Ketta, Luísa, Mário, Matias e Teresa) e espero que voltem, um abraço e obrigada pelos momentos «inspirados».


Hoje, a pensar sobre o que fiz, quer-me parecer que o exercício fica assim... por resolver!

(Pilot G-tec-C4, marcadores windsor & Newton,  Amsterdam e Giotto decor materiais, Posca e caneta de tinta da china s/ Ebru    | «in situ» 

sábado, abril 09, 2016

Segundo exercício com Mário Linhares....


O segundo exercício que o Mário nos propôs foi inspirador...tentei resolver o problema em três tentativas.
A água, deu-me o mote para o desenho. Situava-me mesmo entre a fonte (chafariz) perto do Forte de São Brás e o Campo de São Francisco. Os repuchos ficaram em primeiro plano e como tinha, no meu albúm de Grafias, uma página previamente marmoreada (Ebru) usei-a para transmitir essa liquidez. Os registos sobrepõe-se em três planos com técnicas ou cores diferentes. «Há um primeiro tempo de confusão, de conflito, de choque, de esbarrar com a realidade, é o "primeiro dia", um segundo tempo de interiorização, de reflexão, de "metabolização" desse acontecimento. Virá, então, um terceiro tempo e momento, o "terceiro dia", quando começamos a ver as coisas com outros olhos...»
A minha segunda tentativa, o segundo plano - a azul- aproxima-me da estátua ao emigrante de Alvaro França. É um homem que enfrenta as intempéries da vida e avança protegendo a mulher e o filho. Mergulhei no Campo de São Francisco e no coreto, no centro da praça, estavam uma série de crianças que brincavam, corriam e soltavam gargalhadas descomprometidas e contagiantes. Sobrepu-las ao momento anterior propondo uma certa alegria e dinamismo. Percebemos que «...as crises graves podem ser uma oportunidade de renovação...»
A terceira abordagem levou-me a olhar mais profundamente para o Campo de São Francisco que é um lugar patilhado tanto pela crença como pela indigência, é por vezes muito triste! Deixei-me percorrer- visualmente- o Campo e viajei até à âncora da «esperança» sobre o banco onde Antero de Quental tentou o suicídio e... terminei salpicando a vermelho...
Quando cheguei ao ponto de encontro já lá estavam a Emmanuelle, Estela, Isabel, Luísa, Sofia, Teresa, Ketta, Mário e Matias. Um grupo muito simpático e com quem gostei muito de estar. Partilhámos os desenhos que fizemos e ficámos um pouco à conversa enquanto a Ketta se deliciava com um pincel com o depósito cheio de Lixívia. Foi apagando algumas marcas de ecoline e explorando expressivamente os efeitos e manchas provocadas pela subtração. Combinámos encontro para o dia seguinte e desta vez a Sofia Carolina Botelho também estará presente.





(Pilot G-tec-C4, marcadores windsor & Newton,  Amsterdam e Giotto decor materiais, Posca e caneta de tinta da china s/ Ebru)  | «in situ» |

quinta-feira, abril 07, 2016

Mapear o som nas Sete Cidades

Mapeamento sonoro em panorâmica a 360º | Exercício proposto - Mário Linhares

Estas foram as minhas tentativas de mapeamento sonoro... na primeira tentativa fui sobrepondo os sons, dos pássaros que vinham em diferentes direções ou ocorriam no mesmo lugar e as palavras. Foi então que senti que tinha de distinguir e organizar melhor o que ouvia. Numa segunda vez, tentei marcar e destrinçar os sons - os agradáveis do ruído - os agradáveis são sempre envolventes e «inspiráveis» e o ruído... perturbador. Marquei ainda as intensidades, trajetórias e «texturas» do que fui ouvindo, as cores permitiram-me, também, diferenciar, mas acabei por me esquecer que a panorâmica a 360º não era apenas auditiva, aaaah esqueci-me! Tive a sensação que tudo o que se movia emitia som... do vento, às folhas das árvores, das máquinas às pessoas...
(O pequeno postal, tinha-o feito e colocado no meio do caderno, já nem me lembrava dele... não cheguei a partilhá-lo.)
pensei que esse movimento sonoro - na paisagem - a dada altura, permitia defini-la formalmente... não consigo explicar isto muito bem e preciso de voltar a ESTAR na lagoa das Sete Cidades ou noutro lugar, igualmente inspirador,  para tentar VER e OUVIR.

«Picnicámos» e entretanto começou a chuviscar, voltámos a Ponta Delgada para o desafio da tarde.







(Pilot G-tec-C4, marcadores windsor & Newton,  Amsterdam e Giotto decor materiais, Posca e caneta de tinta da china)         | «in situ» |

Desenhar com Mário Linhares, Ketta Linhares e Miguel Franco

Parece Off the Record... foi tudo combinado de véspera. Tivemos a sorte de ter por cá dois dos nossos (três) mentores: o Mário e a Ketta que se fizeram acompanhar do Miguel Franco (um sketcher Brasileiro que vive em Ankara na Turquia) e pelo pequeno e doce Matias (o mini Linhares). Encontrámo-nos na Matriz e lá ficámos à espera que chegassem. Ainda pensámos ser possível desenhar com o grupo que trouxeram -em retiro- aos Açores, mas alguns desencontros fizeram com que não nos conhecessemos pessoalmente, quase todos apanharam o avião de regresso a casa. Entretanto, os mais jovens, foram-se retirando para apanhar transporte para casa. Resistiu um pequeno grupo de entusiastas do desenho em caderno. Levei comigo um álbum de fotografias que converti em álbum de GRAFIAS e sobre um papel pouco convencional (às bolinhas) tive a intenção de registar as pessoas que por ali passavam e se iam sentando perto da igreja Matriz. 

Quando chegou e após uma partilha de desenhos  (feitos nos dias anteriores) o Mário desafiou-me a fazer um registo «para a posteridade»... ahhh, lá fiquei eu no seu magnífico caderno sob a matriz de Ponta Delgada, a página ficou linda, claro! A minha página, fi-la rápida e timidamente, com medo de fazer asneira por isso escolhi um papel liso, simplificando a minha atuação. Introduzi a cor branca posteriormente o que me permitiu destacar, por subtração, a garatuja do pequeno Matias.
Combinámos encontro para os dias seguintes o que foi, para mim, empolgante. É sempre um prazer aceitar desafios no desenho e neste caso,  aqueles que o Mário propõe.



(Zig Millenium, 0.5, Pentel FP10, Tinta acrilica, estilete e marcador Posca)                                                                                           | «in situ»|

terça-feira, abril 05, 2016

Album de GRAFIAS | i do 3d

Converti um album de fotografias em caderno de GRAFIAS e aproveitei para registar as experiências com o I do 3D que o meu filho encontrou para me fazer «pirraças» já que a minha 3D doodler não funciona como era suposto funcionar... foi uma tarde divertida, eu a fingir a terceira dimensão e ele a desenhar com ela.

(Pilot G-tec-C4, marcadores windsor & Newton,  Amsterdam e Giotto decor materiais, e caneta de tinta da china)                      | «in situ» |