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segunda-feira, maio 18, 2020

tapeçaria «luminescente»

Fui - munida de máscara - espreitar o campo de São Francisco levando comigo poucos utensílios de desenho e um caderno relativamente pequeno.



Encostei-me num canto do «altar» que foi espontaneamente tecido pelas pessoas ao longo destes dias. São velas, são flores, são promessas e votos de esperança que cobrem o adro da igreja formando uma tapeçaria «luminescente» com aroma, cores e textura da festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Esta manifestação -popular- deixa um cunho de forte identidade e serena resiliência sendo incrivelmente genuína.

sábado, maio 16, 2020

Contrastes



Nesta altura todos compreendemos que nos é pedido um esforço global que destoa com tudo o que tenhamos, até aqui, vivido. A atualidade remete-nos para o isolamento e para a interioridade como se não fossemos animais reflexivos ou instrospetivos. Somos pessoas, somos mamiferos e é da nossa natureza manifestarmo-nos nem que seja em silêncio. Contrastando com os anos anteriores, o dia de hoje no Campo de São Francisco encharca-se de solidão, deixando apenas no silêncio o mote da partilha. Enquanto os carros vão passando lentamente ao redor da praça algumas pessoas aparecem como «salpicos» de cor numa tela por pintar, estabelecendo entre si uma cumplicidade comovente, muitas depositam as suas preces, flores ou velas à porta da Igreja com sentir de Esperança e afastam-se sabiamente.