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sábado, setembro 05, 2020

Oficinas Singulares #03 | Mário Linhares

À semelhança do desenhar com… esta sessão consiste numa conversa informal - em Livestream - sobre a prática do desenho.
Nesta 3ª sessão convidámos o Sketcher Mário Linhares para nos falar da sua abordagem e a desafiar-nos a desenhar - no/ num local - de acordo com o seu modo de ver.A conversa será apresentada em direto aqui no facebook e partilhada no instagram e no nosso canal de Youtube.
Ao finalizar a conversa o nosso convidado lança-nos um desafio que gostaríamos de ver resolvido por todos aqueles que gostam de desenhar em caderno e se sintam estimulados pelo desenho no local.
Usaremos esta plataforma para que, mensalmente, possamos aproximar praticantes de desenho do País e além fronteiras e partilhar o que se faz em caderno.


Mário Linhares
Blogue urbansketchers.org instagram: @linhares.mr #oficinassingulares #USkPAzores #USkPortugal
#urbansketchers

sábado, abril 09, 2016

Segundo exercício com Mário Linhares....


O segundo exercício que o Mário nos propôs foi inspirador...tentei resolver o problema em três tentativas.
A água, deu-me o mote para o desenho. Situava-me mesmo entre a fonte (chafariz) perto do Forte de São Brás e o Campo de São Francisco. Os repuchos ficaram em primeiro plano e como tinha, no meu albúm de Grafias, uma página previamente marmoreada (Ebru) usei-a para transmitir essa liquidez. Os registos sobrepõe-se em três planos com técnicas ou cores diferentes. «Há um primeiro tempo de confusão, de conflito, de choque, de esbarrar com a realidade, é o "primeiro dia", um segundo tempo de interiorização, de reflexão, de "metabolização" desse acontecimento. Virá, então, um terceiro tempo e momento, o "terceiro dia", quando começamos a ver as coisas com outros olhos...»
A minha segunda tentativa, o segundo plano - a azul- aproxima-me da estátua ao emigrante de Alvaro França. É um homem que enfrenta as intempéries da vida e avança protegendo a mulher e o filho. Mergulhei no Campo de São Francisco e no coreto, no centro da praça, estavam uma série de crianças que brincavam, corriam e soltavam gargalhadas descomprometidas e contagiantes. Sobrepu-las ao momento anterior propondo uma certa alegria e dinamismo. Percebemos que «...as crises graves podem ser uma oportunidade de renovação...»
A terceira abordagem levou-me a olhar mais profundamente para o Campo de São Francisco que é um lugar patilhado tanto pela crença como pela indigência, é por vezes muito triste! Deixei-me percorrer- visualmente- o Campo e viajei até à âncora da «esperança» sobre o banco onde Antero de Quental tentou o suicídio e... terminei salpicando a vermelho...
Quando cheguei ao ponto de encontro já lá estavam a Emmanuelle, Estela, Isabel, Luísa, Sofia, Teresa, Ketta, Mário e Matias. Um grupo muito simpático e com quem gostei muito de estar. Partilhámos os desenhos que fizemos e ficámos um pouco à conversa enquanto a Ketta se deliciava com um pincel com o depósito cheio de Lixívia. Foi apagando algumas marcas de ecoline e explorando expressivamente os efeitos e manchas provocadas pela subtração. Combinámos encontro para o dia seguinte e desta vez a Sofia Carolina Botelho também estará presente.





(Pilot G-tec-C4, marcadores windsor & Newton,  Amsterdam e Giotto decor materiais, Posca e caneta de tinta da china s/ Ebru)  | «in situ» |

domingo, março 01, 2015

DIÁRIO DE VIAGEM – COSTA DO MARFIM DISTINGUIDO COM O PRÉMIO COUP DE COEUR

O livro “Diário de Viagem – COSTA DO MARFIM” de Mário Linhares e Ketta Cabral Linhares, foi distinguido com o prémio “Coup de Cœur” na categoria “Carnet de voyage international“, que distingue o melhor diário de viagem editado fora de França.
Aconteceu no Festival “Rendez vous du carnet de voyage, o principal festival de diários de viagem do mundo, realizado em Clermont-Ferrand, França.

Entrevista com os autores AQUI.

Este livro foi apresentado por Mário Linhares -um dos autores- na Escola Secundária Antero de Quental (hoje dia 28 de Fevereiro de 2015 às 17h30) na Biblioteca e teve a presença entre outros dos sketchers Gabi Campanario, Jessie Chapman e Brenda Murray.
“A viagem à Costa do Marfim acontece na consequência de dezasseis anos de trabalho conjunto com os Missionários da Consolata. A ideia da missão e dos missionários era, antes disso, uma coisa fugaz e cheia de ideias prévias. Foi duro descobrir a utilidade do desenho em territórios tão longínquos. Mais fácil foi entender o que os missionários fazia, nestas aldeias onde o tempo parece não passar. Assim, ir a uma qualquer missão da Consoloata é sempre uma viagem ao desconhecido e ao encontro com uma verdade autêntica. Nunca é turismo a locais históricos, mas a possibilidade de nos encontrarmos verdadeiramente com as pessoas. Marandallah é o nome da aldeia onde desenhámos durante quase um mês e a questão que resume tudo é o tempo., Há que tê-lo para conseguirmos fazer qualquer coisa. Contudo, como sempre, queremo-lo tanto que o compraríamos se pudéssemos, mesmo sabendo que é uma dádiva tão humilde e generosa que desafia a nossa sabedoria no modo como o usamos. O desenho tem-nos ensinado como o tempo é precioso. Não vale a pena correr contra, mas deixarmo-nos adentrar e perder nele, apreciando a aparente pausa a enriquecer o olhar.


Esta viagem vem no tempo certo. Aquele em que o desenho nos exige uma pausa. Saber parar para desenhar. Saber escolher o que desenhar e, mais importante que tudo, deixar que o desenho possa ser contaminado pela novidade de uma realidade tão diferente e entusiasmante, exigindo, por isso mesmo, um olhar renovado, depois de ideias velhas, à procura de crescer com o ancestral e o contemporâneo.
Nunca se passaria tanto tempo a conversar com uma pessoa desconhecida do interior remoto da Costa do Marfim se não fosse pelo desenho. Este é, definitivamente, um novo modo de relação com as pessoas, de as conhecermos melhor e nos sentirmos próximos. Há um sentimento muito forte que nos assalta em aldeias tão distantes como esta: “Eu podia ter nascido aqui. Este também é o meu mundo.”
Desenhar na África Negra é, inevitavelmente, um encontro com a essência do ser humano, com o estado mais puro e desprendido que alguma vez conseguimos ter. É a sensação de marcar a história pessoal com as palavras que estão por inventar.”


Mário e Ketta



O Livro é muito rico, um belíssimo objeto de deleite, sobre uma vivência que nos revela sobre o homem e a humanidade de maneira totalizante. Trata-se de um objeto de comunicação pleno de imagens e sensações... é peculiar e enorme porque é muito maior do que a sua dimensão!!!
Orgulho-me de poder ter estado no lançamento e por constatar o carinho com que a Escola Secundária Antero de Quental acolheu o autor.