domingo, outubro 21, 2018

Verão








































sábado


Sábado às 17:00H - por um valor simbólico - compôs-se a plateia do Coliseu Micaelense para a Ópera Don Giovanni de Wolfgang Amadeus Mozart interpretada pela Sinfonietta de Ponta Delgada. Que espetáculo digno de assistir, julgo que as «incongruências» estéticas do figurino se diluiram na «simplicidade» do cenário e na bela atuação da Quadrivium Associação Artística, dos solistas e do Maestro, parabéns Amâncio Cabral, parabéns! 
O horário -inovador- permitiu-me ainda espreitar (conforme prometido) A Luz e a Escuridão de Antero sob a direção artística e coreografia de Milagres Paz, cujo registo e olhar aqui se aprimora. O Teatro Micaelense estava cheio, eu acabei a noite exausta e eis as minhas garatujas quase cegas.
(Marcador                                                                                    «in situ»

sábado, outubro 13, 2018

(a)Riscar o Património- Partilhar memórias #3


O Encontro terminou com a fotografia de grupo após descida ao calhau. Este (a)Riscar foi muito simpático, interessante e recheado de pequenas surpresas. Agradecemos ao Rodrigo a paciência e a disponibilidade.
(Aguarela, marcador, grafite, carimbo e lápis de cor)                                                                   «in situ»

(a)Riscar o Património- Partilhar memórias #2

Depois do almoço «volante» regado com um tinto proporcionado pela família Sá e ao gosto do escritor. Sentámo-nos na escadaria da igreja (em frente à escola onde Daniel, também, foi Professor) a ouvir algumas peripécias que bem catacterizam a personalidade do seu pai. Ali, Daniel de Sá, naquele mesmo local em 1973 fez um discurso empolgado e critico marcando a chegada - tardia - da eletricidade.

Depois, fomos levados pela rua abaixo até que o Rodrigo junto à casa, que foi de seus avós, ofereceu-nos -pela sua voz- A vida do escritor açoriano segundo o próprio Daniel de Sá:
"Dois de Março de 1944. Três horas da manhã, hora da guerra, que pela do povo seriam duas ainda. Uma casinha ao lado de baixo da do meu avô materno. Nasci. Depois fui quase nómada até aos trinta anos. Uma vintena de mudanças de residência, com dois quartéis em Portugal continental e dois seminários em Espanha pelo meio. Estudos divididos por Santa Maria (4ª classe e 4º ano dos Liceus), Ribeira Grande (5º ano), Ponta Delgada (Magistério Primário), Valência (Filosofia e Teologia) e Granada (Teologia). Casamento em 31 de Março de 1974, com a rapariga mais bonita da Maia. Temos duas filhas e um filho. E duas netas e um neto.
Crónicas e artigos de jornal são muito mais que um milhar. Livros, bem contados, dezanove. O que tem feito mais sucesso: Ilha Grande Fechada. Aquele que vários leitores consideram literariamente mais bem conseguido: O Pastor das Casas Mortas. O que talvez fosse o primeiro que eu salvaria de um naufrágio: E Deus Teve Medo de Ser Homem. O que foi escrito com maior sentimento: Santa Maria, a Ilha-Mãe. Aquele que mais agrada ao povo da minha terra: Sobre a Verdade das Coisas. Um capítulo perfeito, segundo as minhas ambições: o último, de Terceira, Terra de Bravos."


Daniel de Sá
(Publicado no Açoriano Oriental de 3 de abril de 2011)

(Aguarela, marcador, grafite e lápis de cor)                                                                      «in situ»

sexta-feira, outubro 12, 2018

(a)Riscar o Património- Partilhar memórias #1

A 5ª Edição do (a)Riscar o património foi na Maia, uma freguesia do Conselho da Ribeira Grande, onde viveu Daniel de Sá, o escritor Micaelense. No nº8 da Rua dos Foros situa-se aquela que foi a sua habitação, que acolheu e tertúliou a obra e a vida do escritor.
Daniel de Sá «Era um escritor do seu povo, como uma vez ouvi Clara Ferreira Alves dizer de José Cardoso Pires. Pires era - ou tornara-se - de Lisboa e escrevia em primeiro lugar sobre a Lisboa (e o Portugal, continental) que conhecia. Sá era açoriano, de uma freguesia rural, e um dos seus romances mais conhecidos é "Ilha Grande Fechada", história de um homem que dá a volta à São Miguel numa romaria e que é todo um tratado ficcional sobre uma determinada geração de açorianos, na sua relação com a religião e a religiosidade, o "outro lado" - neste caso, o Canadá -, a guerra colonial, a relação com a pátria. Não falta também a esse romance uma crónica de costumes sobre a desigualdade social, o conservadorismo da terra e a cusquice das comadres, típica dos meios pequenos, ainda mais pequenos pelo isolamento. E é um contributo literário,  feito com agudeza e sensibilidade, para a pesquisa do que é ser humano - nas suas sombras, tentações e possibilidades.»

Acompanhados pelo filho e neto, deambulámos pela Maia - entre a casa, a escola e o calhau - a desenhar e usufruindo das memórias que o Rodrigo de Sá tão gentilmente nos ofereceu.





A casa que também testemunha os livros que ali se escreveram abriu-se aos Urbansketchers Açores e, para nós, pousou serena. Atualmente aquelas paredes «vão morrendo em sossego»(1) e é pena que não se abra «museologicamente» ao público.       (1) Daniel de Sá

(Aguarela, marcador, grafite e lápis de cor)                                                                   «in situ»